Diário do Som em 4 tempos – Vitor Garbelotto

 

 

 

 

 

No dia 15 de dezembro na Sala Funarte  aconteceu o sarau de Vitor Garbeletto para  o Compositor e arranjador Radamés no projeto Som em 4 Tempos. Radamés era pianista trabalhou na Rádio Nacional, escrevia diversos arranjos por semana, além de sinfonias, obras para conjuntos de câmara e para os mais diversos instrumentos. Ficou conhecido como um “músico de fronteiras”, por trafegar com desenvoltura tanto na Música Popular como na Música de Concerto.

“Sarau para Radamés“ é o título do concerto de lançamento do CD “Radamés Gnattali – Integral para Violão Solo” de Vitor Garbelotto. No seu primeiro trabalho, o violonista catarinense faz pela primeira vez na musicografia o registro da obra integral para violão solo do compositor brasileiro Radamés Gnattali (1906 – 1988).

No “Sarau para Radamés”, Vitor traz à tona essa relação Popular X Erudito intercalando as obras para violão do compositor com os sambas, choros e valsas de compositores como Paulinho da Viola, Tom Jobim, Raphael Rabello, Garoto. A vivacidade da Música Popular se encontra com o elevado nível sonoro e técnico exigido pela Música de Concerto, produzindo uma música profunda e amplamente expressiva. Música essa que vem permeada por textos, poemas, depoimentos e histórias sobre o Radamés, aproximando, de forma muito descontraída, o público desse que é um dos maiores patrimônios musicais brasileiros. O concerto é, além do lançamento desse importante álbum de Vitor Garbelotto, uma homenagem a Radamés Gnattali.

“Sarau para Radamés” foi contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo) e pelo SESI Música 2011.

Vitor Garbelotto vem se firmando no cenário violonístico como um dos grandes talentos da nova geração. Seu primeiro trabalho solo, o álbum “Radamés Gnattali: Integral para Violão Solo” já é considerado referência da obra do compositor gaúcho, além de ter sido apontado como um dos discos de violão mais importantes lançados no Brasil nos últimos anos.

A busca pela acuidade sonora não faz o violonista perder a essência da música brasileira, demonstrando grande técnica, sonoridade e um forte caráter rítmico, elemento essencial do Violão Brasileiro.

Garbelotto é Bacharel em Música Popular e Erudita pela Unicamp. É integrante do Duo Camaradá, com o percussionista Iê dos Santos e  desenvolve um trabalho em duo com o violonista Diogo Carvalho (trabalho camerístico voltado para as músicas Impressionista e Brasileira). Faz transcrições (teve uma delas publicada na Revista ViolãoPro nº 16) e arranjos (desde instrumento solo até grandes formações). Se dedica, também, ao ensino do seu instrumento há mais de dez anos, além de buscar continuamente seu aperfeiçoamento musical. Vitor, que já estudou com Daniel Wollf, Ulisses Rocha, Paulo Martelli, Gisela Nogueira, Henrique Pinto, hoje estuda harmonia com Marisa Ramires.

Vitor Garbelotto foi:

-   Indicado ao 22º Prêmio da Música Brasileira na Categoria Revelação.

-   Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2010 – Revelação em Música Erudita, pelo lançamento do disco “Radamés Gnattali – Integral para Violão Solo”.

-   Selecionado no Edital SESI Música 2011 para se apresentar com o projeto “Sarau para Radamés” no segundo semestre de 2011.

-   Selecionado no Edital ProAC nº 18/2010 – Concurso de Apoio a Projetos de Circulação de Espetáculos Musicais no Estado de São Paulo com o Projeto “Sarau para Radamés”

-   1º Colocado no 9º Prêmio Nabor Pires de Camargo (Indaiatuba – SP/2010);

-   1º Colocado no IV Concurso de violão da FITO na Categoria Violão Popular (Osasco – SP/2009);

-   1º Colocado no 1º Festival Regional de Música Instrumental (Campinas – SP/2007);

-   Menção Honrosa no 8º Prêmio Nabor Pires de Camagargo (Indaiatuba – SP/2009);

-   3º Colocado no IV Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter (Niterói – RJ/2009).

-   Aprovação no edital do FICC (Fundo de Investimentos Culturais da Cidade de Campinas) para a gravação do disco “Radamés Gnattali – Integral para Violão Solo”. Fevereiro de

2008.

-   2º Colocado no Concurso Nacional de Intérpretes de Dilermando Reis (Guaratinguetá – SP/2003 e 2004)

-   Em 2006, chegou às semifinais do Programa Prelúdio, da TV Cultura, onde tocou os 1º e 3º movimentos do Concertino nº 2, de Radamés Gnattali, fato que pode ser considerado como a primeira exibição televisionada deste concerto.

“Vitor Garbelotto toca Radamés com invejável suingue e sem deixar de cuidar da qualidade sonora. A abordagem que faz é direta, com acordes claros e frases arrojadas” afirma Sidney Molina, critico da Folha de São Paulo sobre o jovem catarinense, que em 2010 recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Revelação em Música Erudita e que foi um dos Indicados ao 22º Prêmio da Música Brasileira (2011), também na categoria Revelação.

Sobre o repertório

Os textos a seguir, servirão de base para o concerto “Sarau Para Radamés”.

1 – Dez Estudos: Estudo I – Estudo de arpejo e independência melódica, onde um pedal na nota ré faz um ostinato bem rítmico, lembrando o surdo de uma escola de samba.

2 – Sarau para Radamés – choro composto por Paulinho da Viola em homenagem a Radamés Gnattali. Peça-título do concerto, o choro é recheado de citações dos processos composicionais de Radamés, como a repetição de temas em diferentes regiões harmônicas; rítmica rica, com diversos breques; e harmonia sofisticada.

3 – Brasiliana nº 13 – Composta em 1983, faz parte da principal série de composições de Radamés. A série Brasiliana tem peças para as mais diversas formações, desde grande orquestra até violão solo. A Brasiliana nº 13 é dividida em três movimentos: 

I – Samba-Bossa Nova, peça com duas partes, onde na primeira o samba é valorizado e na segunda a bossa nova surge, sempre com uma construção polifônica; II – Valsa, um forte lirismo na primeira parte, e na segunda, uma valsa de caráter rítmico e dançante; III – Choro, peça viva, que traz em si o acompanhamento, a melodia e as “baixarias” (lembrando o violão de sete cordas). Brasiliana nº 13 tem como marcas a sofisticação harmônica e a presença de ritmos característicamente brasileiros.

4 – Canto de Iemanjá/Canto de Xangô – Radamés, que compôs para os mais diversos instrumentos, também compôs uma Cantata para Umbanda, chamada Maria Jesus do Anjos. Esses dois afro-sambas, compostos por Baden Powell e Vinícius de Moraes, ilustram a forte influência do negro na cultura musical brasileira, presente com bastante frequência na música de Gnattali.

5 – Gracioso – Choro lento composto por Garoto, que além de amigo, era um dos violonistas preferidos de Gnattali. Radamés chegou a gravar um disco inteiro dedicado à obra de Garoto, e também dedicou-lhe o segundo concerto para violão e orquestra. Esse choro foi a base de Gnattali para a composição do Estudo X, estudo que encerra a série de Dez Estudos

6 – Estudo X – Estudo que encerra a série dos Dez Estudos, foi composta em homenagem ao violonista Garoto, onde Gnattali usa como material temático o choro Gracioso, composto pelo violonista homenageado. O Estudo tem três seções, e a marca de Gnattali aparece na sofisticação harmônica, e no desenvolvimento dos temas originais.

7 – A Lenda do Abaeté – composta por Dorival Caymmi, recebeu no final da década de 1960 um famoso arranjo para violão de Baden Powell. Radamés admirava muito Caymmi, fez vários arranjos para o bahiano, inclusive foi o diretor musical de um dos seus discos. Radamés disse em uma entrevista: 

Caymmi é um anjo. Quando veio da Bahia foi me procurar na Rádio Nacional e

naquela mesma noite saímos pela Av. Rio Branco a pé conversando. Ele ouvia o

programa Um Milhão de Melodias e muita música de Debussy e Ravel. Você vê o que ele faz harmonicamente, aquela simplicidade, só um sujeito com muita cultura musical pode fazer. Cada coisa fabulosa!

Ficamos muito amigos e estamos sempre juntos.

8 – Rosa – é uma das mais conhecidas obras compostas por Pinguinha. Radamés chegou a escrever uma peça chamada “Uma rosa para Pinguinha”, onde ele reinventa a valsa, tornando-a harmonicamente mais complexa e polifônica. Como fala Radamés: “Existem milhões de choros, mas os bons mesmo são os do Pixinguinha. Bons pore star muito mais elaborados? Não, é porque ele é um sujeito genial, criou aquelas músicas e aquilo é o Choro e acabou.”

9 - Pequena suíte para violão soloÚltima peça composta para violão solo, a pedido do violonista Turíbio Santos, que apontou na obra de Radamés para violão a ausência de uma peça que tratasse da música nordestina. Composta de três movimentos: I – Pastoril, peça que lembra as antigas festas natalinas que aconteciam com muita frequência no Recife e Bahia, especialmente no século XIX; II – Toada, peça de caráter sertanejo, melancólico e saudosista, onde duas melodias “conversam” continuamente; III – Frevo, com um forte caráter rítmico, a peça nos remete diretamente ao carnaval de Pernambuco.

10 – Camará – de Paulo César Pinheiro e Raphael Rabello, Camará é um afro-samba no primeiro momento e depois vira um samba de roda, tendo como forte tema rítmico a capoeira. Raphael Rabello foi apadrinhado musicalmente por Radamés. Juntos gravaram dois discos (um em homenagem ao Garoto, e outro com a Camerata Carioca, em homenajem a Jacob do Bandolim). Raphael chegou a gravar um disco só com obras de Radamés. Apesar de não ter sido um registro integral, essa gravação é uma importante referência para a compreensão da obra de Gnattali para o instrumento. Além disso, Rabello é uma das principais influências de Vitor Garbelotto.

 

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Enfim! vai estrear o filme Enfiando a Jaca no Balde

Demorou mas chegou! Gravado desde 2007, finalmente o filme em curta metragem dirigido por Vitor Leobons e chamado “Enfiando a Jaca no Balde” tem data de estréia. Escolhido como um dos eventos da Sala Funarte – Sidney Miller, o curta metragem da Tetra Filmes foi marcado para estrear  no dia 08 de fevereiro de 2012. O filme conta  a história de Candeias e Cardoso, dois amigos universitários estudantes de cinema. Candeias se vê em depressão pelo término de seu namoro e sua atual situação incomoda profundamente seu amigo Cardoso. Segundo ele, Candeias sofre por ser “comédia romântica” demais!

 

Para solucionar o problema, os amigos saem à noite para um bordel, para introduzir nessa comédia romântica um pouco de pornochanchada! E como toda pornochanchada pede muita confusão, mulheres nuas, homossexuais divertidos, bebedeira, perseguição policial e conflito com os sogros, é naturalmente isso que o filme proporciona aos espectadores. Com cenas hilárias, uma estética parecida com as pornochanchadas históricas, dublagem mal-sincronizada e muita música, o filme desenrola a trama dos dois amigos pela noite à procura de diversão e mulheres. “Enfiando a Jaca no Balde” se propõe a trabalhar a interseção dos gêneros musical, comédia romântica e pornochanchada, resultando em uma produção única e pós-moderna.

Elenco:

 Pablo Blois,  Renan de Abreu,  Marco de Aquino,  Fernando di Paula,  Leandro Vieira,  Laís Ravagnani,  Leno Lopes,  Luiz Cláudio,  Flávio Back,  Taiana Trajano,  Diego dos Anjos,  Carolina Medeiros,  Sheila Jacob,  Guilherme Garci,  JP-Black,  Wagner Bi-o,  Thiago Ramos,   Aline Cardoso, Daniela Moraes, Érica D’Alessandro, Fernando di Paula, Jeane Lima, Jefferson Costa, Lara de Hollanda, Lílian Machado, Patrícia Ramos, Rayssa Bentes, Ricardo Leal, Thiago Ramos e Enio.

 

Acompanhem uma noitada desses dois amigos em um musical que homenageia um gênero importante do cinema brasileiro.

AQUI, OS FRACOS NÃO TEM VEZ!

 


Diario do Som em 4 Tempos – Trio Madeira Brasil

O Trio Madeira Brasil é uma das melhores novidades surgidas no universo da música instrumental dos últimos tempos. Reunindo três virtuoses em torno de uma proposta artística ousada: fazer uma música ao mesmo tempo calorosa e bem acabada, o Trio Madeira Brasil lança mão de um repertório tão precioso quanto eclético, representando o que há de melhor na cultura brasileira e atento a manifestações de outras culturas. O Trio Madeira Brasil se apresentou na Sala Funarte – Sidney Miller no dia 08 de dezembro as 18:30h.

A partir do lançamento de seu primeiro CD, em 1998, saudado pela crítica especializada, o TMB vem colecionando grandes êxitos em sua carreira:

  • Indicações de “Melhor Disco” e “Melhor grupo” no Prêmio Sharp
  • Participação no Free Jazz Festival 99, onde se destacou como única atração nacional a obter cotação máxima no ranking do jornal O Globo (RJ)
  • Gravação de especial para a TV Francesa com o violonista Baden-Powell
  • Participação no Festival Chorando Alto, mais importante festival da história do Choro, ao lado do compositor Egberto Gismonti (Sesc-Pompéia-SP)
  • Eleito melhor show instrumental do ano pelo jornal O Globo (RJ)
  • Extensa turneé pelo Brasil, demonstrando o grande público que o Trio Madeira Brasil alcança por todo o país
  • Turnée pelo arquipélago do Tahiti, no projeto “Musique en Polynésie”, que pela primeira vez convidou  um grupo Brasileiro para se apresentar na Polynesia  Francesa
  • Turnées pela França, Itália, Áustria, Bélgica, Suíça, Chile, Colômbia e Portugal, com passagens por importantes festivais, como o Vignola Jazz, Festival Rio-Loco, Visions du Réel, Festival de Guitarra de Santo Tirso, Rock in Rio-Lisboa e Berlin Jazz-Fest
  • Inclusão de faixas de seu CD em trilhas sonoras de televisão e cinema, bem como compilações variadas
  • Participação no CD “Filosofia”, do cantor Zé Renato, dedicado ao repertório de Noel Rosa e Chico Buarque, tendo este como convidado
  • Lançamento em 2003 de CD em parceria com o compositor Guilherme de Brito, onde recria através de elaborados arranjos os maiores sucessos do compositor, com ênfase nas parcerias deste com Nelson Cavaquinho. O CD arrancou por parte da crítica especializada adjetivos como “clássico” e “essencial”
  • Lançamento em 2004 do CD “Trio Madeira Brasil e Convidados”, gravado ao vivo em São Paulo, no qual o trio carioca convida três grandes músicos paulistas: o pianista Laércio de Freitas, o clarinetista Proveta e o acordeonista Toninho Ferragutti.
  • Participação no CD “Choros e Alegria” do compositor Moacir Santos.
  • Participação no documentário sobre Choro “Brasileirinho”, com direção do finlandês Mika Kaurismaki e direção musical de Marcello Gonçalves, que teve sua estréia em Fevereiro de 2005 no Festival de Cinema de Berlim.
  • Representou oficialmente o Brasil na Copa do Mundo 2006, com show na Casa das Culturas do Mundo, em Berlim.
  • CD “Quando o Canto é Reza”, em parceria com a cantora Roberta Sá, que levou ao grande público a obra do compositor do Recôncavo Baiano Roque Ferreira. Saudado como “primoroso” e “irretocável”, o trabalho recebeu o prêmio de melhor disco de MPB no Premio da Música Brasileira.

Apresentando uma constante alternância de solistas e reservando considerável espaço para os improvisos, os arranjos musicais do Trio Madeira Brasil transparecem um perfeito equilíbrio entre tradição e modernidade. Também não é para menos, seus componentes mesmo tendo experiências diversificadas são músicos bastante conceituados no meio musical:

 

 

 

 

 

 

Ronaldo do Bandolim (1950) é um dos maiores bandolinistas brasileiros, que há duas décadas tem emprestado seu som e seus deliciosos improvisos ao Conjunto Época de Ouro, o mais tradicional grupo de Choro em atividade. Participou de gravações antológicas com grandes nomes da música brasileira, como Marisa Monte, Paulinho da Viola, Rafael Rabello e Chico Buarque. Gravou dois cds solo, um em homenagem a Juventino Maciel e Jonas do Cavaquinho e outro em dedicado a Ernesto Nazareth.

Zé Paulo Becker (1968) antes de mergulhar fundo no mundo do Choro, construiu uma sólida reputação como violonista, dominando o repertório clássico e ganhando prêmios significativos em concursos de violão. É mestre em música pela UFRJ. Lançou os CDs Lendas Brasileiras, com arranjos para violão solo de clássicos da música brasileira, Sob o Redentor, com composições próprias, sendo duas em parceria com Aldir Blanc, Um violão na roda de choro, junto com um álbum de partituras, levando assim suas composições para todas as rodas de Choro e Pra Tudo Ficar Bem.

Marcello Gonçalves (1972) Um dos mais celebrados violonistas de 7 cordas do Brasil, é também integrante do grupo Rabo de Lagartixa e tem duo com Henrique Cazes, com quem gravou o CD Pixinguinha de Bolso, dedicado à obra do mestre do Choro e Vamos Acabar com o Baile, sobre a obra de Garoto. Diretor Musical de trabalhos marcantes da música brasileira, como o documentário sobre Choro “Brasileirinho”, o CD/DVD “Uma Noite Noel Rosa” e “Quando o Canto é Reza” de Roberta Sá e Trio Madeira Brasil, além da Produção Musical de “YV“, de Yamandú Costa e Valter Silva. Desenvolve também carreira de solista, gravando e participando de festivais internacionais de Guitarra.

 

 


Diário do Som em 4 Tempos – Rodrigo Maranhão

Chegando no dia 09 de dezembro o projeto Som em 4 Tempos apresentou o show de Rodrigo Maranhão na Sala Funarte.  compositor,Cantor, instrumentista , violonista e cavaquinista Rodrigo Maranhão deu início a sua história musical aos 18 anos, quando decidiu trocar a faculdade de Jornalismo pela de Música. Em 1998, foi criado o conjunto Bangalafumenga, composto por Rodrigo Maranhão (cavaquinho, voz e composições), Thiago Di Sabbato (baixo), André Moreno, André Bava e Dudu Fuentes (percussões). O “Banga” é derivado de um bloco carnavalesco que originou-se em um projeto de shows que ocorriam semanalmente no Planetário da Gávea (RJ).  Após 10 anos, emprestando suas composições aos grandes nomes da música brasileira, lançou em maio de 2009, seu primeiro disco: “Bordado”. Em seu disco reúne canções que compôs ao longo de sua carreira. Entre elas, “Caminho das águas”, “Recado”, “Olho de Boi” e “O Osso”. O primeiro disco do cantor é um disco autoral com assinatura de compositor, onde Rodrigo apresenta de modo intimista a música crua como veio ao mundo.

Com seu primeiro disco, “Bordado” (2207), faturou os prêmios de Revelação e Melhor Cantor do Prêmio Tim de Música Brasileira, a mais prestigiada cerimônia da música nacional.

O  inconfundível estilo de compor e cantar brasileiro e minimalista (no sentido da depuração) , a variedade de ritmos e gêneros. Variedade, claro, calcada nas duas grandes veredas da música brasileira, o samba (urbano) e o baião (rural). Mas se lá, em “Bordado”, ele apresentou quase um manifesto pelo direito de sua geração de continuar a fazer simplesmente uma música brasileira ampla e vária, aqui, neste “Passageiro”, mais maduro Rodrigo põe tudo em dúvida, questiona ritmos e gêneros, é ora metalinguístico, ora onírico. Sempre e ainda surpreendente.
Senão ouçam “Samba quadrado”, o samba irônico e metalinguístico que abre o CD (anunciando o espírito da coisa): se na letra ele diz que tentou fazer “um samba importado/ um samba quadrado/um samba só”, na música tudo suinga, tudo balança, do pandeiro de Pretinho da Serrinha e da guitarra de Thiago di Sabatto, ao quarteto de cordas arranjado por Leandro Braga.
No mesmo espírito de estranhamento com ritmos e gêneros estão a “Valsa lisérgica”, única parceria do disco, a letra de Pedro Luís cheia de imagens loucas também no espírito da coisa; o “Quase um fado”, gravado entre Rio e Lisboa, com direito à voz potente do português Antonio Zambujo, em quem aliás Rodrigo se inspirou para fazer a canção, depois de assistir um concerto dele no Rio; o sambão “Um samba pra ela”, popular e escorreito na melodia, com direito à suingueira do trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Ponte, além do sax soprano do produtor Zé Nogueira reforçando o naipe e o suingue, mas em cuja letra também irônica e metalinguística revela-se que “tentei fazer um samba pra ela/ mas a palavra se nega/ não me dá satisfação, segundo  Hugo Sukman.


Diário do Som em 4 Tempos – Tiê

Encerrando o ano de 2011 no dia 16 de dezembro tivemos no projeto Som em 4 Tempos o show da cantora Tiê. A compositora e cantora lotou a Sala Funarte – Sidney Miller e empolgou a platéia com o repertório que conta com músicas como Assinado Eu e Chá Verde.

Tiê viu sua opção pelos palcos acontecendo quando a elegeram melhor cantora do Fico (Fes­tival Interno do Colégio Objetivo), em 1997. Tiê tocava o Café Bre­chó, um bar-loja em Perdizes, mas a cantora só foi se sentir cantora quando caiu no Studio SP, casa de shows paulistana que vem se tornando uma vitrine de novos ar­tistas. Tiê tinha um EP com quatro can­ções e nenhum direcionamento. Tiê depois de três meses, entrou em estúdio e gravou Sweet Jardim, produzido por Plínio Profeta e patrocinado pelo Levis’ Music – projeto que apoia artistas estreantes. Depois da estréia com o minimalista “Sweet Jardim” (2009), Tiê reúne em seu novo trabalho canções autorais, parcerias e versões com arranjos mais encorpados e novos elementos, como a presença de bateria e percussão na maioria das músicas. Tiê tem várias curiosidades bacanas em sua história. É neta de Vida Alves, atriz que protagonizou o primeiro beijo da TV brasileira, na também primeira novela nacional, “Sua Vida Me Pertence”, escrita e protagonizada por Walter Forster, além de dar o primeiro beijo da TV brasileira, a avó de cantora também deu o primeiro beijo homossexual do meio, na atriz Geórgia Gomide. Aos 17 anos, a cantora morou em Londres, e com 20 (em 2000) foi morar em Nova York, onde participou da produção dos shows Brazil Fest, com curadoria de Nelson Motta.

Em 2003, apresentou o festival, que trouxe, entre outras atrações, a cantora Miúcha. Foi também com 20 anos que começou a escrever suas primeiras canções. Aos 21, estudou canto em Nova York e, de volta a São Paulo, abriu um brechó e foi no Café Brechó que Tiê conheceu duas figuras importantes para sua carreira na música. A primeira delas foi Dudu Tsuda, tecladista das bandas Pato Fu, Jumbo Elektro, Cérebro Eletrônico, Trash Pour 4 e também das bandas da cantora Fernanda Takai e do cantor Junio Barreto. E em junho de 2005, os dois formaram a dupla musical Cabaret, responsável pelas primeiras experiências musicais autorais de Tiê, e fizeram temporadas no clube Vegas, além de trilhas para desfiles de moda. No projeto Cabaret, Tiê era Tiê Bireaux, uma persona francesa. Dudu é parceiro de Tiê na música “Dois”, quarta faixa de “Sweet Jardim”. Outro personagem musical importante na vida da cantora também apareceu despretensiosamente no Café Brechó para provar o menu do dia na hora do almoço. Tiê foi conversar com Toquinho e, juntos, descobriram que ele conhecia sua mãe, Thaís, dos bastidores da TV. O músico tinha um violão no carro, pois estava gravando um disco em um estúdio perto dali, e logo fez um teste com Tiê. Foi assim que a menina aspirante a cantora gravou sua primeira música, em parceria com Toquinho, “Você Me Chegou”, no disco de Celso Moraes. Foi convidada para fazer parte da banda de Toquinho, com quem viajou por todo o Brasil e pela Europa. Nesta época conheceu Paulinho da Viola e Caetano Veloso.

A última turnê com Toquinho foi em 2006. Em 2007 gravou um EP com quatro músicas, em parceria com Dudu Tsuda. Em janeiro de 2008 começou a fazer shows solo, no Studio SP, e entrou para as listas de cantoras promissoras de veículos como a Folha de S.Paulo. Em 2009 lançou seu primeiro disco, produzido por Plínio Profeta, batizado de “Sweet Jardim”, que conta com as participações especiais de Toquinho, Tatá Aeroplano, Gianni Dias, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit e Naná Rizinni, e tem concepção estética da estilista Rita Wainer, que também assina a capa.



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