No dia 15 de dezembro na Sala Funarte aconteceu o sarau de Vitor Garbeletto para o Compositor e arranjador Radamés no projeto Som em 4 Tempos. Radamés era pianista trabalhou na Rádio Nacional, escrevia diversos arranjos por semana, além de sinfonias, obras para conjuntos de câmara e para os mais diversos instrumentos. Ficou conhecido como um “músico de fronteiras”, por trafegar com desenvoltura tanto na Música Popular como na Música de Concerto.
“Sarau para Radamés“ é o título do concerto de lançamento do CD “Radamés Gnattali – Integral para Violão Solo” de Vitor Garbelotto. No seu primeiro trabalho, o violonista catarinense faz pela primeira vez na musicografia o registro da obra integral para violão solo do compositor brasileiro Radamés Gnattali (1906 – 1988).
No “Sarau para Radamés”, Vitor traz à tona essa relação Popular X Erudito intercalando as obras para violão do compositor com os sambas, choros e valsas de compositores como Paulinho da Viola, Tom Jobim, Raphael Rabello, Garoto. A vivacidade da Música Popular se encontra com o elevado nível sonoro e técnico exigido pela Música de Concerto, produzindo uma música profunda e amplamente expressiva. Música essa que vem permeada por textos, poemas, depoimentos e histórias sobre o Radamés, aproximando, de forma muito descontraída, o público desse que é um dos maiores patrimônios musicais brasileiros. O concerto é, além do lançamento desse importante álbum de Vitor Garbelotto, uma homenagem a Radamés Gnattali.
“Sarau para Radamés” foi contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo) e pelo SESI Música 2011.
Vitor Garbelotto vem se firmando no cenário violonístico como um dos grandes talentos da nova geração. Seu primeiro trabalho solo, o álbum “Radamés Gnattali: Integral para Violão Solo” já é considerado referência da obra do compositor gaúcho, além de ter sido apontado como um dos discos de violão mais importantes lançados no Brasil nos últimos anos.
A busca pela acuidade sonora não faz o violonista perder a essência da música brasileira, demonstrando grande técnica, sonoridade e um forte caráter rítmico, elemento essencial do Violão Brasileiro.
Garbelotto é Bacharel em Música Popular e Erudita pela Unicamp. É integrante do Duo Camaradá, com o percussionista Iê dos Santos e desenvolve um trabalho em duo com o violonista Diogo Carvalho (trabalho camerístico voltado para as músicas Impressionista e Brasileira). Faz transcrições (teve uma delas publicada na Revista ViolãoPro nº 16) e arranjos (desde instrumento solo até grandes formações). Se dedica, também, ao ensino do seu instrumento há mais de dez anos, além de buscar continuamente seu aperfeiçoamento musical. Vitor, que já estudou com Daniel Wollf, Ulisses Rocha, Paulo Martelli, Gisela Nogueira, Henrique Pinto, hoje estuda harmonia com Marisa Ramires.
Vitor Garbelotto foi:
- Indicado ao 22º Prêmio da Música Brasileira na Categoria Revelação.
- Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2010 – Revelação em Música Erudita, pelo lançamento do disco “Radamés Gnattali – Integral para Violão Solo”.
- Selecionado no Edital SESI Música 2011 para se apresentar com o projeto “Sarau para Radamés” no segundo semestre de 2011.
- Selecionado no Edital ProAC nº 18/2010 – Concurso de Apoio a Projetos de Circulação de Espetáculos Musicais no Estado de São Paulo com o Projeto “Sarau para Radamés”
- 1º Colocado no 9º Prêmio Nabor Pires de Camargo (Indaiatuba – SP/2010);
- 1º Colocado no IV Concurso de violão da FITO na Categoria Violão Popular (Osasco – SP/2009);
- 1º Colocado no 1º Festival Regional de Música Instrumental (Campinas – SP/2007);
- Menção Honrosa no 8º Prêmio Nabor Pires de Camagargo (Indaiatuba – SP/2009);
- 3º Colocado no IV Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter (Niterói – RJ/2009).
- Aprovação no edital do FICC (Fundo de Investimentos Culturais da Cidade de Campinas) para a gravação do disco “Radamés Gnattali – Integral para Violão Solo”. Fevereiro de
2008.
- 2º Colocado no Concurso Nacional de Intérpretes de Dilermando Reis (Guaratinguetá – SP/2003 e 2004)
- Em 2006, chegou às semifinais do Programa Prelúdio, da TV Cultura, onde tocou os 1º e 3º movimentos do Concertino nº 2, de Radamés Gnattali, fato que pode ser considerado como a primeira exibição televisionada deste concerto.
“Vitor Garbelotto toca Radamés com invejável suingue e sem deixar de cuidar da qualidade sonora. A abordagem que faz é direta, com acordes claros e frases arrojadas” afirma Sidney Molina, critico da Folha de São Paulo sobre o jovem catarinense, que em 2010 recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Revelação em Música Erudita e que foi um dos Indicados ao 22º Prêmio da Música Brasileira (2011), também na categoria Revelação.
Sobre o repertório
Os textos a seguir, servirão de base para o concerto “Sarau Para Radamés”.
1 – Dez Estudos: Estudo I – Estudo de arpejo e independência melódica, onde um pedal na nota ré faz um ostinato bem rítmico, lembrando o surdo de uma escola de samba.
2 – Sarau para Radamés – choro composto por Paulinho da Viola em homenagem a Radamés Gnattali. Peça-título do concerto, o choro é recheado de citações dos processos composicionais de Radamés, como a repetição de temas em diferentes regiões harmônicas; rítmica rica, com diversos breques; e harmonia sofisticada.
3 – Brasiliana nº 13 – Composta em 1983, faz parte da principal série de composições de Radamés. A série Brasiliana tem peças para as mais diversas formações, desde grande orquestra até violão solo. A Brasiliana nº 13 é dividida em três movimentos: 
I – Samba-Bossa Nova, peça com duas partes, onde na primeira o samba é valorizado e na segunda a bossa nova surge, sempre com uma construção polifônica; II – Valsa, um forte lirismo na primeira parte, e na segunda, uma valsa de caráter rítmico e dançante; III – Choro, peça viva, que traz em si o acompanhamento, a melodia e as “baixarias” (lembrando o violão de sete cordas). Brasiliana nº 13 tem como marcas a sofisticação harmônica e a presença de ritmos característicamente brasileiros.
4 – Canto de Iemanjá/Canto de Xangô – Radamés, que compôs para os mais diversos instrumentos, também compôs uma Cantata para Umbanda, chamada Maria Jesus do Anjos. Esses dois afro-sambas, compostos por Baden Powell e Vinícius de Moraes, ilustram a forte influência do negro na cultura musical brasileira, presente com bastante frequência na música de Gnattali.
5 – Gracioso – Choro lento composto por Garoto, que além de amigo, era um dos violonistas preferidos de Gnattali. Radamés chegou a gravar um disco inteiro dedicado à obra de Garoto, e também dedicou-lhe o segundo concerto para violão e orquestra. Esse choro foi a base de Gnattali para a composição do Estudo X, estudo que encerra a série de Dez Estudos
6 – Estudo X – Estudo que encerra a série dos Dez Estudos, foi composta em homenagem ao violonista Garoto, onde Gnattali usa como material temático o choro Gracioso, composto pelo violonista homenageado. O Estudo tem três seções, e a marca de Gnattali aparece na sofisticação harmônica, e no desenvolvimento dos temas originais.
7 – A Lenda do Abaeté – composta por Dorival Caymmi, recebeu no final da década de 1960 um famoso arranjo para violão de Baden Powell. Radamés admirava muito Caymmi, fez vários arranjos para o bahiano, inclusive foi o diretor musical de um dos seus discos. Radamés disse em uma entrevista: 
Caymmi é um anjo. Quando veio da Bahia foi me procurar na Rádio Nacional e
naquela mesma noite saímos pela Av. Rio Branco a pé conversando. Ele ouvia o
programa Um Milhão de Melodias e muita música de Debussy e Ravel. Você vê o que ele faz harmonicamente, aquela simplicidade, só um sujeito com muita cultura musical pode fazer. Cada coisa fabulosa!
Ficamos muito amigos e estamos sempre juntos.
8 – Rosa – é uma das mais conhecidas obras compostas por Pinguinha. Radamés chegou a escrever uma peça chamada “Uma rosa para Pinguinha”, onde ele reinventa a valsa, tornando-a harmonicamente mais complexa e polifônica. Como fala Radamés: “Existem milhões de choros, mas os bons mesmo são os do Pixinguinha. Bons pore star muito mais elaborados? Não, é porque ele é um sujeito genial, criou aquelas músicas e aquilo é o Choro e acabou.”
9 - Pequena suíte para violão solo – Última peça composta para violão solo, a pedido do violonista Turíbio Santos, que apontou na obra de Radamés para violão a ausência de uma peça que tratasse da música nordestina. Composta de três movimentos: I – Pastoril, peça que lembra as antigas festas natalinas que aconteciam com muita frequência no Recife e Bahia, especialmente no século XIX; II – Toada, peça de caráter sertanejo, melancólico e saudosista, onde duas melodias “conversam” continuamente; III – Frevo, com um forte caráter rítmico, a peça nos remete diretamente ao carnaval de Pernambuco.
10 – Camará – de Paulo César Pinheiro e Raphael Rabello, Camará é um afro-samba no primeiro momento e depois vira um samba de roda, tendo como forte tema rítmico a capoeira. Raphael Rabello foi apadrinhado musicalmente por Radamés. Juntos gravaram dois discos (um em homenagem ao Garoto, e outro com a Camerata Carioca, em homenajem a Jacob do Bandolim). Raphael chegou a gravar um disco só com obras de Radamés. Apesar de não ter sido um registro integral, essa gravação é uma importante referência para a compreensão da obra de Gnattali para o instrumento. Além disso, Rabello é uma das principais influências de Vitor Garbelotto.






































Comentários